Descobrindo a Sagrada Face de Jesus agonizante

Descobrindo a Sagrada Face de Jesus agonizante

Teresa é realista. Não procura o sofrimento, mas também não se esquiva dele. Aceita como ele vem.
  • 07 de Ago de 2025

Ir. Cecília Tada, cmst

 

Durante este período, a jovem religiosa de dezesseis-dezessete anos se aproximará de Cristo de um modo todo novo. Descobre a “Santa Face” de Jesus agonizante, a sua face ferida, humilhada, coberta de chagas e de lágrimas. Teresa contempla quanto o Ressuscitado sofreu. Tampouco ao seu Filho amado Deus poupou o sofrimento e a morte.

O mistério incompreensível do sofrimento para Teresa não é mais inteiramente um absurdo nem está em contradição com a bondade do Pai. Teresa adentra no mistério da Cruz e contempla Cristo que aceita os sofrimentos, a crucifixão e a morte não como vindas das mãos das autoridades, dos algozes, mas unicamente das mãos do Pai. Vê como Jesus assumiu a sua morte em um amor que doa, perdoa, se abandona em Deus em uma confiança redentora.

 

Quem sondou a profundidade e os mistérios da Cruz, concebe o sofrimento como parte integrante de sua fé. De uma fé tradicional Teresa passa a uma fé responsável e assumida pessoalmente. A fé de Teresa se  torna fundamentalmente cristã. Jesus torna o seu grande argumento e a sua certeza. Seu modelo não é somente Jesus em sua vida pública e apostólica, Teresa vai a fundo até o aniquilamento total do Crucificado cuja Face misteriosa ilumina todo este período e lhe dá força para ser pobre no sentido mais perfeito. Se Jesus lhe pede para descer é porque “Ele, o Rei dos reis, humilhou-se de tal maneira que sua face estava escondida e ninguém o reconhecia ... e eu também quero esconder o meu rosto, quero que só meu Bem-amado possa vê-lo” (C 137).

 

  Após “os três anos de martírio (Ms A 73f), passada “a prova dolorosa  de Caen”(C 137), tendo sido eleita priora sua irmã  Inês, a sua “segunda mãe”, psicologicamente, para Teresa abre-se uma nova etapa. Os “cinco anos” de sofrimento (Ms A 70f) passaram; agora “com o amor, não somente avança, mas voa” (Ms A 80). Espiritualmente entra em uma nova etapa. Ela compreende que, depois que a prova de Caen aniquilou “o externo”, Jesus a convida a trabalhar ainda mais intensamente para o desprendimento “interior”; deve “descer” em tudo aquilo que poderia ainda fazer aparecer grande aos seus próprios olhos (C 137). Da Escritura, seu “único alimento” desde algum tempo, toma o meio de expressão e nela descobre a exigência de uma imediata superação: para “acabar sua obra na alma” de Teresa como a Zaqueu, Jesus lhe pede de “descer” em um terreno muito mais profundo: ele quer esvaziá-la e despojá-la de si mesma.

 

Em um carta de 6 de julho de 1893 (C 142) pela primeira vez nos seus escritos aparece a palavra “abandono”, que resume a sua nova atitude. O sofrimento e o seu esforço perderam a sua importância diante da adesão amante, não somente a cada vontade do Senhor, mas antes de tudo à ação divina nela. Segundo ela “o mérito não consiste em doar muito, mas em receber muito”. Não quer mais “acumular riquezas espirituais” (C 91), mas abandona agora o seu “empenho” espiritual ao Senhor. “A tua Teresa não se encontra nas alturas, neste momento, mas, Jesus, ensina-lhe “a tirar proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em si”. Ensina-lhe a jogar à banca do amor, ou melhor, Ele joga para ela sem dizer como proceder, pois isso é assunto seu e, não de Teresa, o que compete a ela é abandonar-se, entregar-se sem nada reservar, nem mesmo a satisfação de saber quanto rende a sua banca. [...] Jesus não me ensina a contar meus atos; ensina-me a fazer tudo por amor [...], mas isto faz-se na paz, no abandono, é Jesus quem faz tudo e eu nada faço” (C 142).

 

Teresa percebia o “jogo” divino no seu caminho rumo à santidade, sem porém entender “como Jesus se empenhava em fazer render” o seu amor por Ele. Somente quando descobre a “pequena via”, o Senhor revela como se empenha em fazê-la avançar. Ao explicar a sua “pequena via, toda nova”, a sua descoberta teve Deus como objeto. É a visão da sua misericórdia. Teresa aprende a reconhecer de que o amor de Deus é um amor que desce junto ao pequeno. A pequenez, ao invés de ser principalmente humildade, será agora confiança. Ela aspira antes de tudo, a uma confiança completamente filial. Aquilo que agrada ao bom Deus na minha pequena alma, escreverá mais tarde, é “ver-me amar a minha pequenez e a minha pobreza, é a esperança cega que tenho na sua misericórdia. É a confiança que deve levar-nos ao Amor” (C 197

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