História

A Congregação teve sua origem na ilha da Sicília, na Itália, quando a jovem Rosa Curcio, lendo a autobiografia de Teresa d’Avila se apaixonou por esta santa e desejou “fazer reflorescer o Carmelo” em sua cidade, Ispica, e em muitas outras.

Encorajada pelo bispo de sua diocese, Dom Blandini, em 1909 iniciou na casa paterna, com outras quatro companheiras, uma primeira experiência de vida comum e serviço às crianças e aos necessitados.
O pequeno grupo cultiva o ideal missionário à imitação da jovem carmelita Teresa do Menino Jesus, conhecida graças à leitura de sua autobiografia, “História de uma Alma”, recomendada por D. Blandini.

Enfrentando perseguições e calúnias, em sua cidade, por causa do seu ideal, Rosa e suas companheiras se transferem para uma cidade vizinha, Módica, onde iniciam sua atividade educativa, fundando um educandário (orfanato).
Entrando na Ordem Terceira do Carmo, aí fez a profissão religiosa escolhendo o nome de Irmã Maria Crocifissa.

A fidelidade ao Carmelo proporciona ao grupo conflitos com o novo bispo, Dom Vizzini, que não lhes permite expandir seu ideal. O desejo de corresponder fielmente à sua vocação carmelita leva Rosa a buscar ajuda junto ao provincial dos padres carmelitas da Província da Sicília. Este a põe em contato com um seu confrade, Padre Lourenço, o qual alimentava o desejo de fundar um instituto de religiosas para as missões carmelitas.

Em 1925, ano da canonização de S. Terezinha, Padre Lourenço obtém a aprovação do bispo do lugar e então, no dia 3 de julho, Rosa e suas companheiras se transferem para a cidade de S. Marinella, Província de Roma. No dia 16 do mesmo mês o grupo foi afiliado à Ordem Carmelita, com o nome de Instituto das Irmãs Terceiras Carmelitas de S. Teresa do Menino Jesus.

Escolhendo S. Terezinha como Padroeira, Madre Crocifissa e Padre Lourenço desejavam concretizar, através da nascente Congregação, o ideal missionário da Padroeira das Missões e seguir sua Pequena Via de confiança e abandono em Deus.

Graças à influência de Padre Lourenço, homem de grande cultura e profundo espírito de fé, professor na casa de formação internacional da Ordem, em Roma, e muito estimado dentro e fora da Ordem, o pequeno grupo logo se desenvolveu recebendo numerosas vocações. Teve sua aprovação diocesana em 1930 e a pontifícia em 1963.

Em Santa Marinella as Irmãs se dedicaram às atividades paroquiais junto com Padre Lourenço, especialmente à catequese. Instituiu-se a Associação das Filhas de Maria para as moças que freqüentavam os cursos de corte e costura e bordado, para serem catequizadas e ajudadas a crescer como verdadeiras cristãs. Fazia-se oratório festivo e as às Irmãs organizavam com os jovens apresentações, passeios, excursões. Em seguida veio a obra de reeducação: moças confiadas às Irmãs, pelo Tribunal de Menores, para serem reeducadas e reintegradas à sociedade.

P. Lourenço escreve, no relatório sobre a fundação apresentado ao Cardeal em 1929, para a aprovação do Instituto: “Em S. Marinella, além dos cuidados dispensados ‡s meninas confiadas pelo Instituto da Obra Nacional da Maternidade e Infância e por outras entidades particulares, há dois anos foi aberta uma pequena escola para o povo.

No futuro, deseja-se aplicar, de modo especial, à direção de casas de acolhimento e cursos profissionalizantes, destinados à educação da juventude abandonada e serão procurados, de preferência, os pequenos centros e a zona rural mais necessitados de ajuda espiritual. Às Irmãs, se recomenda, ajudar o pároco nas paróquias nas quais se encontram. O fim principal do Instituto permanece sempre a vida missionária”.

A casa das Irmãs tornou-se o coração daquele lugarejo: era uma comunidade inteiramente inserida naquela pequena cidade que se desenvolvia, carente de tudo, de recursos materiais, promoção humana e evangelização
Com o crescimento do grupo, o Instituto alargou seus espaços em poucos anos, com fundações de casas em diversas cidades da Itália.

Nas diversas comunidades, ricas de espiritualidade e espírito missionário, as Irmãs se dedicavam à educação elementar, às obras assistenciais nos orfanatos, casas de acolhimento, casas de reeducação de adolescentes, encontros recreativos para jovens e crianças, às diversas atividades paroquiais, presença ativa nos bairros de periferia e na colaboração com os padres carmelitas. Na atividade apostólica privilegiavam a juventude feminina necessitada, abandonada, sem família ou de famílias desajustadas, oferecendo-lhes o calor de uma família enraizada em laços sobrenaturais.

Presença no Brasil

Em 1947 M. Crocifissa e Pe. Lourenço recebem dois convites, o primeiro para uma fundação no Brasil, com perspectiva muito pobre e sem segurança; o segundo para o Canadá, com perspectivas sedutoras. Eles não hesitaram em escolher o Brasil, porque era mais conforme às suas aspirações missionárias.

Em dezembro de 1947, depois de uma longa e penosa viagem de navio, desembarcam no Rio de Janeiro quatro Irmãs: Inês Giunta, Eliana Spadola, Virgínia Murtinu e Grazietta Macauda. Seguem de trem para Belo Horizonte, onde permanecem por um certo tempo. Daí vão de jardineira para Patos de Minas, de onde seguem de automóvel, enfrentando os riscos do sertão chuvoso e sem estradas, até Paracatu, no noroeste de Minas Gerais.

No dia 6 de janeiro de 1948, festa da Epifania do Senhor, as quatro missionarias eram apresentadas ao povo na catedral de Paracatu. O sonho missionário de Madre M. Crocifissa e Padre Lourenço se concretizava: iniciava-se assim a aventura missionária das Irmãs Carmelitas Missionarias de S. Teresa do Menino Jesus no Brasil.

Como se vê, a árvore transplantada da Itália para Paracatu entrou em boa terra, desenvolveu e está produzindo frutos, não só no Brasil mas, também em outros países.