“Carmelo: uma vida de plenitude e beleza.”

“A arte de educar é semelhante à arte de orar, porque
ambas exigem métodos, criatividade, paciência, disciplina,
constância… A educação e a oração são atividades dinâmicas,
cujos processos de desenvolvimento são lentos, graduais e interativos.

Dom Jorge Alves Bezerra, sss
Bispo Diocesano de Paracatu – MG

Aconteceu, em Roma, no período de 05 a 10 de novembro 2017 o II Congresso das Escolas Carmelitas cujo tema era: “Carmelo – uma vida de plenitude e beleza.”

O Congresso ocorreu num clima de acolhida e fraternidade entre nós, Família Carmelita, atingindo o seu objetivo. Éramos um grupo com 67 participantes vindos de diversos países: Argentina, Austrália, Brasil, Congo, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Holanda, Indonésia, Índia, Irlanda, Malta, Peru e Zimbábue. Do Brasil, éramos um grupo de sete participantes: três da Província de Santo Elias (Brasília – Frades), dois do Comissariado do Paraná (Paranavaí), Ir. Neuza e eu.

Em se tratando do conteúdo do Congresso e da aprendizagem, posso afirmar que foi um momento de revigorar o entusiasmo pela vocação carmelita, despertando ainda mais o interesse pela educação, pelo saber. A programação do Congresso Carmelita foi bem intensa, favorecendo um bom aproveitamento.  Tivemos várias palestras como: O itinerário educativo da beleza; A espiritualidade carmelita para os educadores do século XXI; A família carmelita e a educação na era da globalização; Nossas origens carmelitas e sua expressão simbólica hoje; A educação e a espiritualidade na Laudato Si e O currículo carmelita: sua importância e singularidade – a Laudato Si no currículo. Ao se tratar do último tema, ‘Laudato Si’, os assessores se detiveram especificamente na Encíclica e como ela é aplicada nas escolas a partir de vários exemplos.

Dentre as muitas riquezas apontadas no Congresso, saliento 06 tópicos importantes que foram fundamentados na reflexão: ‘Nossas origens carmelitas e sua expressão simbólica hoje’:

  1. Tito Brandsma – A educação da beleza e da contemplação

Considerado o pai das escolas carmelitas, pôde acompanhá-las ao longo da sua existência, percebendo tanto o crescimento quanto as mudanças dessas escolas; deixou-nos um grande legado: a educação da beleza e da contemplação. Mesmo vivendo os horrores da Segunda Guerra Mundial, Tito não perdeu a sensibilidade da contemplação; nos últimos dias de sua vida ainda na prisão/holocausto, soube apreciar os lugares, as coisas, levando-os para a sua meditação e, à noite, escrevia os mais profundos poemas.

Para Tito, educar não é somente transmitir conteúdos, mas também e, sobretudo, valores; valores que inspirem os nossos estudantes e os faça inspirar outros.

  1. O Monte Carmelo – O Lugar da Origem

O que levou os Carmelitas deixarem o ‘seu lugar’ e viverem como peregrino/mendicantes? Significa que o lugar onde estamos é o nosso lugar sagrado, o nosso lugar de sermos carmelitas evangelizadores. As nossas escolas, por sua vez, devem ser mais que um lugar geográfico, devem sim, ser um lugar que transmita aos nossos estudantes, o Carmelo: lugar do encontro, da acolhida e do aconchego.

  1. A Virgem do Carmo – A Senhora do Lugar

Todos se reuniam para terem momentos em comum. A simbologia da Senhora do Lugar significa que somos todos irmãos, que temos que ter proximidade e criarmos relações. Nossas escolas devem proporcionar um clima de proximidade, que ajude o nosso estudante a se sentir parte desta grande família.

  1. Elias – a experiência de Deus

A experiência de Deus em meio ao terremoto, em meio à tempestade, etc. Na escola, encontramo-nos em diferentes tempestades, mas, é importante fazermos a prática da educação contemplativa (a mesma de Tito Brandsma), da educação da brisa suave, da escuta. Exercitar nossos professores e estudantes, neste universo tão turbulento, a pequenos momentos de silêncio, de escuta interior.

  1. Teresa de Ávila e São João da Cruz – exemplos de colaboração

Duas pessoas completamente diferentes, mas que se completaram com um espírito de recíproca colaboração. Na escola e na vida sempre aprendemos uns com os outros; precisamos desenvolver em nós uma genuína colegialidade e um respeito grande pelo outro.

  1. Teresa de Lisieux – o extraordinário no dia-dia

Com Teresinha aprendemos a fazer dos momentos ordinários, momentos de graça em nossas vidas. Na escola, é necessário prestar atenção para a apreciação dos pequenos momentos que muitas vezes, ou quase sempre, passam tão despercebidos devido à grande agitação deste mundo tão globalizado.

A reflexão destes seis tópicos muito me ajudou a ver a educação carmelita a partir das riquezas que o Carmelo nos propõe. E aqui na missão onde estou inserida, busco multiplicar essa riqueza milenar para que outros, também, possam beber desta fonte para serem continuadores de um bem duradouro que, com o tempo, não passa.

Com o coração grato, rogo ao Senhor que transforme esse aprendizado em bênçãos para a nossa Família Religiosa. Fica, ao mesmo tempo, o desejo de que todas as nossas Instituições Educacionais da nossa Província e, quem sabe um dia, da nossa Congregação, intensifiquem a experiência de Teresa de Ávila e São João da Cruz: trabalharmos em espírito de colegialidade e unidade a fim de transformamos as nossas casas em pequenos ‘carmelos’, espaços privilegiados para a nossa evangelização.

Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, a Senhora do Lugar, abençoe os nossos bons propósitos e nos ajude a vivenciá-los de acordo com a vontade do Senhor.

Ir. Simony Angelino da Silva